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Mostrando postagens com o rótulo Contos

O ALFAIATE

A chuva fina molhava a calçada diante da velha alfaiataria de Maurice Bertrandt, um homem de mãos firmes e olhos cansados, conhecido por vestir os homens da mafia mais perigosos da italia. Naquela manhã estranhamente silenciosa, uma batida seca soa na porta de madeira. Maurice hesita, mas ao olhar pelo olho mágico, o sangue congela em suas veias. Do lado de fora, está sua esposa, com os olhos arregalados e a filha de seis anos encolhida em seus braços, assustada. Atrás delas, o brutamontes Antonio, com a mão enorme agarrando o pescoço da mulher, como se segurasse uma flor prestes a ser esmagada. Maurice abre a porta. Imediatamente, elas são empurradas para dentro, e Frantchesco Bergolinni o chefao sa mafia entra em seguida Era um homem rechonchudo eoesado, vestindo um terno vinho, com o ar de um javali faminto e cruel. Ele sorri, devagar, como quem saboreia o medo alheio. A porta se fecha a porta atrás deles com um estalo surdo. Bergolinni se aproxima de Maurice, arrastando os pés. — M...

A FACE DE RAHMAN

O céu de Dubai pulsava em néon. Lá no alto, no último andar do maior predio do mundo o Burj Khalifa, a cidade parecia um tabuleiro de vidro onde pecados eram jogados como dados. Na cobertura privativa, decorada com mármore negro, espelhos sem moldura e taças de cristal em bandejas prateadas, Abdul Rahman mantinha o rosto impassível. Seu terno marrom-claro tinha o corte preciso de Istambul, o turbante impecável, e os olhos escondiam uma guerra silenciosa. Na frente dele, o chefão do narcotráfico polonês, Szymon Krawczyk, abraçava com firmeza o homem careca ao seu lado. Era o antigo braço direito. — "Kończymy tutaj, mój przyjaciel..." (terminamos aqui, meu amigo) murmurou em polonês, com um sorriso frio. Mas então, o chefão desbloqueou seu celular. Três toques. Galeria. Ali estavam as fotos. O careca em um café de Marselha, depois num beco em Viena... com rostos conhecidos da Interpol. O sorriso sumiu. Sem hesitar, ainda abraçado, Szymon puxou a Glock prateada da cintura e a ...

CRÔNICAS DO CAVALEIRO DAS BATATAS

  CAPÍTULO I – FUGINDO DO VELHO MUNDO. –  A Ordem caiu. Fomos perseguidos e mortos apenas por termos cumprido nosso trabalho de guardiães!  –  Não importa o que pensam, nosso dever sagrado é com a Igreja e com a manutenção da justiça.  Dois “Cavaleiros Pobres” conversavam na proa de um navio observando o oceano por onde viajavam a tanto tempo que suas cotas de malha já começavam a enferrujar. Uma Cruz Vermelha era muito visível no peito de um deles, enquanto que no outro, a mesma se encontrava oculta debaixo de uma túnica improvisada. A falta de armaduras sobre a cota de malha eram a prova de sua renúncia as posses para que pudessem dedicar suas vidas a Deus.  –  A igreja e a Ordem não se importam conosco. É por isto que não lhe foi permitido usar abertamente nossa cruz, tampouco recebeste um nome.  –  Foste criado apenas para servires a teu propósito, um cozinheiro, alguém dispensável que prepara as batatas!  –  E por isso rumamos ...